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Como fazer um site para advogado ou escritório de advocacia (guia prático e dentro da ética)

Por Jeferson Bruno · 2 de julho de 2026 · 9 min de leitura

Como fazer um site para advogado ou escritório de advocacia (guia prático e dentro da ética)

Quando alguém tem um problema jurídico — uma demissão que parece injusta, um inventário travado, uma cobrança indevida —, a primeira coisa que faz é abrir o Google e digitar o nome do advogado que alguém indicou. Se não acha nada, ou acha só um perfil de rede social parado há meses, a confiança já nasce quebrada. Contratar advogado é decisão de confiança pura, e ninguém entrega um problema sério a quem nem consegue localizar direito.

Só que aqui mora a armadilha: o advogado, diferente do dono de pizzaria ou da manicure, não pode simplesmente fazer um site chamativo prometendo resultado. O Código de Ética da OAB e o Provimento 205/2021 impõem regras claras sobre o que você pode e não pode publicar. "Ganhe sua causa", "melhor advogado da cidade", tabela de honorários piscando na home — tudo isso é infração disciplinar, não estratégia de marketing.

A boa notícia é que um site sóbrio, honesto e bem organizado converte muito mais do que promessa vazia — e é exatamente o que a ética permite. Este guia mostra o que colocar, o que jamais colocar, e como montar tudo sem depender de agência nem saber programar.

Antes de tudo: o que a OAB permite e o que é infração

Marketing jurídico no Brasil é regido pelo Provimento 205/2021 da OAB e pelo Código de Ética e Disciplina. Você não precisa decorar o texto todo, mas precisa gravar a lógica por trás: a publicidade do advogado deve ser informativa, discreta e sóbria, nunca mercantil. Vender serviço jurídico como quem vende sabonete é o que a norma quer evitar.

Na prática, isso quer dizer que o site pode ter:

  • Seu nome, o nome do escritório e o número de inscrição na OAB (com a seccional, ex.: OAB/SP 123.456)
  • Suas áreas de atuação e uma descrição sóbria de cada uma
  • Formação, pós, especializações e experiência
  • Artigos e conteúdo informativo sobre temas jurídicos
  • Endereço, telefone, e-mail e um canal para o cliente entrar em contato

E não pode, em hipótese nenhuma:

  • Prometer ou insinuar resultado ("ganhe sua causa", "receba seu FGTS garantido")
  • Usar termos de superioridade ("o melhor", "o maior escritório", "número 1")
  • Divulgar valor de honorários ou dar ar de promoção/desconto
  • Mercantilizar a profissão com termos publicitários agressivos, sensacionalismo ou "gatilhos" de urgência
  • Usar depoimento de cliente sobre resultado obtido

Na dúvida entre parecer "forte" e parecer sóbrio, escolha sempre a sobriedade. Além de ser a regra, é o que passa segurança para quem está com um problema real nas mãos.

Estrutura do site: as páginas que realmente importam

Escritório não precisa de site gigante. Precisa de poucas páginas bem feitas. A estrutura que funciona para praticamente todo advogado é:

  • Home — quem você é, para quem você trabalha e suas áreas em destaque. Tem que responder em 5 segundos: "esse advogado cuida do meu tipo de problema?"
  • Áreas de atuação — a página mais importante do site (falo dela a seguir)
  • Sobre / O escritório — sua formação, sua trajetória, o número da OAB e uma foto profissional. É aqui que a confiança se constrói.
  • Artigos / Conteúdo — onde você mostra domínio do assunto sem cobrar nada
  • Contato — endereço, mapa, formulário e canal de agendamento

Se você atende só uma área — digamos, só Direito Previdenciário —, dá para condensar tudo em uma página só, longa e bem seccionada. O erro é o contrário: espalhar o pouco conteúdo em dez páginas vazias que passam sensação de escritório abandonado.

Áreas de atuação: seja específico, não genérico

"Atuo em todas as áreas do Direito" é a frase que mais afasta cliente. Quem tem uma ação trabalhista quer um trabalhista; quem vai fazer inventário quer alguém que faça inventário todo dia. Generalista soa como quem não domina nada a fundo.

Liste suas áreas de forma clara e, em cada uma, escreva 2 a 4 linhas sóbrias explicando o que você resolve ali — na linguagem do cliente, não na do processo. Exemplos de recorte que funcionam:

  • Direito de Família — divórcio, guarda, pensão alimentícia, partilha de bens, inventário
  • Direito Trabalhista — rescisões, verbas não pagas, assédio, reconhecimento de vínculo
  • Direito Previdenciário — aposentadorias, auxílio-doença, revisão de benefício do INSS
  • Direito do Consumidor — cobranças indevidas, negativação, problemas com bancos e planos de saúde

Descreva o problema que a pessoa vive, não o artigo de lei. "Foi demitido e a empresa não pagou as verbas?" comunica muito mais do que "Ações rescisórias com fundamento na CLT". E lembre: descrever o que você faz é permitido; prometer o desfecho não é.

Autoridade e sobriedade: como transmitir confiança sem exagerar

A confiança de um site jurídico vem de sinais discretos, não de adjetivos. Cuide destes pontos e você já passa à frente da maioria dos concorrentes:

  • Número da OAB visível — coloque a inscrição no rodapé e na página Sobre. É exigência da ética e, ao mesmo tempo, prova para o cliente de que você é advogado regular.
  • Foto profissional de verdade — nada de selfie ou foto de festa. Uma foto sóbria, boa iluminação, fundo neutro. As pessoas querem ver o rosto de quem vão contratar.
  • Formação e trajetória — onde se formou, pós/especializações, há quantos anos atua. Fatos, sem inflar.
  • Design limpo e sério — cores sóbrias (azul-marinho, cinza, grafite, tons terrosos), tipografia legível, nada de animação espalhafatosa. O visual é parte da mensagem.
  • Texto na primeira pessoa e honesto — fale como você falaria numa primeira reunião, com calma e clareza. Juridiquês em excesso afasta; arrogância também.

Um bom teste: leia sua home imaginando um cliente ansioso, com um problema grave, lendo às 23h no celular. Ele se sente acolhido e seguro, ou bombardeado de promessa? A segunda opção perde o cliente e ainda pode render representação na OAB.

Agendamento de consulta e o botão de WhatsApp discreto

O objetivo do site não é "vender" ali mesmo — é fazer a pessoa dar o primeiro passo: marcar uma conversa. Facilite ao máximo esse passo, com sobriedade.

  • Canal de agendamento claro — um botão "Agendar uma consulta" ou "Falar com o escritório" em posição fixa, sem exagero visual. A consulta inicial pode ser paga ou de avaliação; o site só precisa abrir a porta.
  • WhatsApp, sim, mas discreto — o brasileiro resolve tudo no WhatsApp, e um botão flutuante ajuda muito. Só cuide de dois detalhes: que ele seja sóbrio (não um balão verde gigante piscando) e que a mensagem automática seja profissional, algo como "Olá, gostaria de agendar uma consulta sobre [área]". Nada de emoji em excesso ou tom de vendas.
  • Formulário curto — nome, telefone, e-mail e uma linha sobre o assunto. Peça o mínimo; quanto mais campos, menos gente preenche. E deixe claro que o contato é sigiloso.
  • Horário e forma de atendimento — presencial, on-line ou os dois. Muita gente hoje procura "advogado on-line" justamente para não se deslocar.

Um detalhe de ética: evite qualquer coisa que crie senso de urgência artificial ("últimas vagas", "consulta grátis só hoje"). Convide, não pressione.

Artigos: como aparecer no Google sem gastar com anúncio

A forma mais barata e duradoura de um advogado ser encontrado é escrevendo sobre as dúvidas que seus clientes já digitam no Google. Toda pessoa com um problema jurídico pesquisa antes de procurar advogado — e se o texto que ela achar for o seu, você já entra na conversa com autoridade.

Pense nas perguntas reais que chegam no seu escritório e transforme cada uma em um artigo:

  • "Fui demitido por justa causa, e agora?"
  • "Quanto tempo demora um inventário?"
  • "Tenho direito a revisão da minha aposentadoria?"
  • "O banco me negativou por dívida que não reconheço, o que fazer?"

Escreva de forma informativa e honesta, explicando o cenário geral — sem dar consulta fechada nem prometer resultado. No fim de cada artigo, um convite sóbrio para agendar uma conversa. Esse tipo de conteúdo é permitido pela ética (é informação, não mercantilização) e é o que faz seu site aparecer quando alguém busca sua área na sua cidade. Cadastrar o escritório no Google Meu Negócio reforça ainda mais as buscas do tipo "advogado trabalhista perto de mim".

Se você não sabe por onde começar a estrutura, dá para partir de um escritório de advocacia (modelo pronto) já pensado para o nicho e adaptar com seus textos e suas áreas.

Montando na prática (sem agência e sem programar)

Não é preciso pagar milhares de reais numa agência nem esperar semanas. Com um construtor pensado para o nicho, você mesmo publica em uma tarde. O roteiro:

  • 1. Reúna o material — sua foto profissional, número da OAB, lista de áreas, textos do Sobre e um ou dois artigos. Esse é o passo que mais dá trabalho; o site em si é rápido.
  • 2. Escolha um modelo sóbrio — nada de tema colorido de loja. Layout limpo, sério, mobile-first (a maioria vai te achar pelo celular).
  • 3. Preencha com seus dados — troque os textos de exemplo pelos seus, revise cada frase pensando na ética, coloque a OAB no rodapé.
  • 4. Configure contato e WhatsApp — número certo, mensagem profissional, formulário curto, endereço com mapa.
  • 5. Publique e cadastre no Google — no ar, cadastre no Google Meu Negócio e comece a publicar artigos aos poucos.

Quer ver isso funcionando com suas informações? Você pode montar seu site grátis agora, partir de um layout sóbrio já pronto para advocacia e ajustar tudo no seu ritmo — sem cartão, sem contratar ninguém.

Perguntas frequentes

Advogado pode ter site? É permitido pela OAB?

Sim, é totalmente permitido. O que a OAB regula (Provimento 205/2021 e Código de Ética) é a forma: a publicidade tem que ser informativa, discreta e sóbria. Você pode divulgar nome, OAB, áreas de atuação, formação e artigos. O que não pode é prometer resultado, usar termos como 'o melhor' ou divulgar tabela de honorários. Um site sério e honesto está perfeitamente dentro das regras.

Posso colocar meus honorários e valores de consulta no site?

Não. Divulgar valores de honorários é considerado mercantilização da advocacia e é vedado pelo Código de Ética. Você pode informar que oferece consulta e que o contato é sigiloso, mas o valor deve ser tratado diretamente com o cliente, no atendimento. Evite também qualquer ideia de 'promoção', 'desconto' ou 'consulta grátis só hoje'.

Preciso pagar uma agência para fazer o site do meu escritório?

Não necessariamente. Agência faz sentido para escritórios grandes com identidade visual completa, mas o advogado autônomo ou o escritório pequeno consegue um site sóbrio e profissional usando um construtor voltado ao nicho, sem programar e sem custo inicial. Você mesmo insere suas áreas, sua OAB e seus artigos, e publica em uma tarde. Dá para começar grátis e evoluir depois.

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Jeferson Bruno

Escrito por

Jeferson Bruno

Dev full-stack e fundador do Tavoren. Sobre o autor →

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