Como fazer um site para imobiliária ou corretor (vitrine que agenda visita)
Por Jeferson Bruno · 2 de junho de 2026 · 9 min de leitura

Se você é corretor ou toca uma imobiliária, já reparou numa coisa: o cliente hoje decide qual imóvel quer visitar antes de te ligar. Ele abre o celular, olha foto, vê o bairro, checa quantos quartos tem e o valor — e só depois manda mensagem. Se ele não achar seu imóvel filtrando por preço e região, agenda visita com o concorrente que deixou isso fácil de encontrar.
O problema é que a maioria dos corretores só tem Instagram e um catálogo de imóveis solto no WhatsApp. Aí toda foto boa que você tira, todo imóvel novo que capta, some no feed em dois dias. E quando alguém pesquisa "apartamento à venda em [sua cidade]" no Google, quem aparece são os portalzões grandes — nunca você.
Um site próprio resolve isso. Não precisa ser nada complicado nem caro: precisa ser uma vitrine organizada, com foto grande, ficha de cada imóvel e um botão de WhatsApp por anúncio. Neste guia eu mostro exatamente o que essa vitrine tem que ter pra transformar quem pesquisa em quem agenda visita — e o que ignorar pra não perder tempo.
Vitrine com filtro: o coração do site
A primeira coisa que a pessoa quer fazer no seu site é filtrar. Ninguém rola 80 imóveis pra achar o que quer. O visitante chega com uma ideia na cabeça — "quero 2 quartos, até 400 mil, na zona sul" — e precisa chegar nesses imóveis em três toques.
Os filtros que realmente importam pra imobiliária no Brasil são poucos:
- Finalidade — venda ou aluguel (essa é a primeira separação, nunca misture na mesma lista)
- Tipo — apartamento, casa, terreno, comercial, chácara
- Bairro ou região — o filtro mais usado de todos; pessoa já sabe onde quer morar
- Quartos — 1, 2, 3, 4+
- Faixa de preço — deixe faixas prontas (até 300 mil, 300 a 500 mil), é mais fácil no celular que digitar valor
Resista à tentação de colocar 15 filtros (vaga de garagem, andar, ano de construção, aceita pet). Isso trava o cliente e ninguém usa. Comece com esses cinco. O resto vai na ficha do imóvel, não no filtro.
Fotos: é aqui que a visita nasce ou morre
Vou ser direto: foto ruim mata o imóvel mais que preço alto. O cliente perdoa um valor um pouco acima se a foto for boa; ele não perdoa foto escura, torta, com a cama desarrumada e o box do banheiro cheio de mancha.
Você não precisa de câmera profissional pra 90% dos imóveis. Precisa de disciplina:
- Luz natural — fotografe de dia, cortinas e janelas abertas. Nada de flash de celular, deixa tudo amarelo e feio.
- Ambiente arrumado — cama feita, bancada limpa, sem sapato no chão, sem produto de limpeza à mostra. Cinco minutos arrumando valem mais que qualquer edição.
- Foto na horizontal, na altura do peito, mostrando o canto do cômodo pra dar noção de espaço. Foto vertical estreita o ambiente.
- Primeira foto = a melhor. Sala ampla, fachada bonita ou vista. É a foto da capa que decide se a pessoa clica ou passa reto.
- De 6 a 12 fotos por imóvel — todos os cômodos, mais fachada e área comum. Menos que isso parece que você está escondendo algo.
Um site que mostra a foto grande, ocupando a tela, converte muito mais que aquele catálogo de miniaturas apertadas. A pessoa compra com o olho.
A ficha do imóvel: tudo que decide a visita, numa tela
Cada imóvel precisa da própria página — a ficha. É pra onde a pessoa vai quando clica na foto, e é onde ela decide se manda mensagem ou não. Uma boa ficha tem, em ordem:
- Galeria de fotos grande logo no topo
- Título claro — "Apartamento 3 quartos no Centro, com vaga" (não "Cód. 4471")
- Preço visível, sem esconder. "Consulte valores" faz a pessoa fechar a aba. Se é venda, mostre o valor; se é aluguel, mostre aluguel + condomínio + IPTU.
- Características em lista — área em m², quartos, suítes, banheiros, vagas, andar
- Localização — bairro e, se possível, um mapa ou pelo menos os pontos de referência ("a 5 min do shopping", "perto da estação")
- Descrição curta e honesta — o que o imóvel tem de bom, sem enrolação. Reforme recente, sol da manhã, silencioso.
- Botão de WhatsApp bem visível logo abaixo
Detalhe que faz diferença: o valor do condomínio e do IPTU. Muito corretor esconde e o cliente descobre depois, se frustra e some. Mostrar de cara filtra quem não pode pagar e deixa quem pode mais confiante.
Contato por imóvel: WhatsApp que já vem com a mensagem pronta
Aqui está o pulo do gato que quase ninguém faz direito. O botão de WhatsApp na ficha do imóvel não pode abrir uma conversa em branco. Ele tem que já vir com a mensagem escrita mencionando o imóvel específico.
Quando o cliente clica em "Falar sobre este imóvel", o WhatsApp já abre com algo tipo: "Olá! Tenho interesse no Apartamento 3 quartos no Centro (cód. 4471). Podemos agendar uma visita?"
Por que isso muda tudo:
- Você sabe na hora qual imóvel gerou o contato — sem perguntar "qual você viu mesmo?"
- O cliente não precisa digitar nada, só apertar enviar. Menos atrito = mais mensagem.
- Você responde já sabendo o contexto, parece organizado e profissional
Um botão de WhatsApp por imóvel, com a mensagem preenchida, vale mais que um formulário de contato bonito que ninguém preenche. Brasileiro não gosta de formulário — gosta de WhatsApp. Coloque o botão flutuante fixo também, pra quem quer falar com você direto sobre qualquer coisa. É esse contato em um toque que transforma quem está pesquisando em quem agenda.
CRECI, captação e a página que traz proprietário
Duas coisas que separam o site de corretor sério do amador.
Primeiro, o CRECI. Coloque seu número de CRECI no rodapé e na página "Sobre". Não é enfeite — é o que dá segurança pro cliente saber que você é corretor registrado e não um golpista. Em imóvel, onde os valores são altos, isso pesa. Quem esconde o CRECI gera desconfiança.
Segundo, e é onde a maioria erra: capte proprietário pelo site. Todo corretor quer comprador, mas o negócio de verdade está em ter imóvel bom pra vender. Crie uma página ou seção do tipo "Quer vender ou alugar seu imóvel?" com uma chamada direta:
- "Anuncie seu imóvel com quem vende de verdade"
- Um botão de WhatsApp só pra proprietários
- Uma linha do que você oferece — avaliação gratuita, fotos profissionais, divulgação
Enquanto o concorrente só corre atrás de comprador, você usa o mesmo site pra encher a carteira de imóveis. Um proprietário que te acha no Google e confia é um imóvel exclusivo na sua mão — vale muito mais que dez curiosos.
Aparecer no "imóveis à venda em [sua cidade]"
De nada adianta um site lindo que ninguém acha. A boa notícia: como corretor local, você tem uma vantagem que os portais grandes não têm — você é daqui. Google adora conteúdo local pra busca local.
O que fazer, na prática:
- Coloque o nome da cidade e dos bairros no site. Não só "imóveis à venda", mas "apartamentos à venda em Londrina", "casas no bairro Gleba Palhano". É assim que a pessoa pesquisa, com cidade e bairro juntos.
- Crie o Perfil da Empresa no Google (o antigo Google Meu Negócio). É grátis e é o que faz você aparecer no mapa quando alguém busca "imobiliária perto de mim". Preencha tudo: horário, telefone, fotos, endereço.
- Peça avaliações aos clientes que fecharam. Cinco estrelas no Google vale ouro em imóvel — é confiança pura.
- Mantenha os imóveis atualizados. Tire do ar o que já vendeu. Nada pior que o cliente se apaixonar por um imóvel e descobrir que saiu há três meses.
Você não vai bater portal nacional em "imóveis Brasil", e nem precisa. Você precisa ganhar em "[tipo de imóvel] em [seu bairro]" — e aí, quem é local e organizado leva.
Montando na prática, sem programador
Você não precisa contratar agência nem gastar milhares pra ter isso tudo. Um imobiliária (modelo pronto) já vem com a vitrine, o filtro, a ficha do imóvel e o WhatsApp por anúncio configurados — é só trocar as fotos e os textos pelos seus imóveis.
O caminho realista:
- Escolha um modelo de imobiliária pronto em vez de começar do zero
- Cadastre seus 10 ou 15 melhores imóveis primeiro — não precisa por tudo de uma vez
- Capriche nas fotos, elas fazem 80% do trabalho
- Configure o WhatsApp com a mensagem por imóvel
- Publique, crie o Perfil no Google e comece a divulgar o link no Instagram e nos grupos
Dá pra ter no ar hoje. Quando quiser começar, é só montar seu site grátis e ir cadastrando os imóveis aos poucos. O importante é sair do "catálogo perdido no WhatsApp" pra uma vitrine que trabalha por você enquanto você está na rua mostrando imóvel.
Perguntas frequentes
Preciso ter CRECI pra fazer um site de imóveis?
Pra anunciar imóveis e intermediar venda ou aluguel como profissional, sim — o CRECI é obrigatório por lei e você deve exibir o número no site. Fazer o site em si não exige nada, mas atuar como corretor sem registro é irregular. Coloque seu CRECI no rodapé e na página Sobre: além de cumprir a regra, passa muito mais confiança pro cliente.
Como o cliente entra em contato pelo site sobre um imóvel específico?
O ideal é um botão de WhatsApp em cada ficha de imóvel que já abre a conversa com a mensagem preenchida, citando o imóvel e o código. Assim você sabe na hora qual anúncio gerou o interesse e o cliente não precisa digitar nada. Funciona muito melhor que formulário de contato, que a maioria dos brasileiros ignora.
Como faço meu site de imobiliária aparecer no Google da minha cidade?
Use o nome da cidade e dos bairros nos títulos e textos do site (ex: "apartamentos à venda em [cidade]"), crie o Perfil da Empresa no Google (Google Meu Negócio) pra aparecer no mapa em buscas "perto de mim", peça avaliações aos clientes e mantenha os imóveis atualizados. Como corretor local você compete bem em buscas por bairro, onde os portais grandes são fracos.
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